Sobre as cotas

Quem anda acompanhando as atividades legislativas da Câmara e do Senado deve estar a par dos projetos PLC 180/08 (da Câmara) e PLS 344/08 (do Senado), que determinam a criação de cotas para o ingresso em universidades públicas e escolas técnicas federais.
O assunto tem gerado muita discussão, tanto no meio político, como na 'sociedade em geral'*. Os pró-cotas argumentam que há uma discriminação concentrada no fator econômico, atingindo assim, as etnias desfavorecidas e estudantes de classes sociais que não podem pagar uma escola particular. Os anti-cotas rebatem afirmando que deve haver uma igualdade nas condições de seleção das universidades, sem diferenciação de cor, raça ou classe social.
Na real, eu acho que os pró-cotas querem que quem sempre teve condições de pagar uma escola particular, continue pagando uma faculdade/universidade particular. Em contrapartida, os anti-cotas querem ter acesso ao ensino superior público, já que eles passaram a vida toda pagando escolas particulares.
Quem está certo? Quem está errado? Ah, querido leitor, já aprendi que "certo" e "errado" são conceitos altamente relativos e subjetivos. E que, geralmente, são formulados a partir dos interesses de cada ser humano.
O engraçado é que a classe média só se ferra com isso, né? Porque pagar escola particular, ainda dá, é só tirar um pouco daqui e dali. Mas pagar faculdade particular? São mais outros quinhento$$! E isso, enquanto os ricos têm dinheiro para pagar ensino superior e os pobres, a ajuda do governo.
A minha opinião é simples: o governo, que tem O DEVER (Constituição, oi?) de oferecer educação de qualidade para todos os cidadãos desse País. Se os pró-cotas e anti-cotas unissem os esforços e comecassem a cobrar melhorias na educação do Brasil, todo mundo sairia ganhando. Até - pasmem! - a classe média.

*Odeio essa expressão, mas na falta de uma melhor...

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